Impermanência – Weimar


A bravura e força do cavalo, quando domados, transferem a quem o monta qualidades que moldam sua identidade. Não por acaso, reis tiveram seus retratos montados a cavalo, uma vez que seu galope também considera ideias de leveza e ritmo, o que funciona como a alegoria de forças opostas, como delicadeza, mansidão, coragem e destemor. … Continuar lendo Impermanência – Weimar


A bravura e força do cavalo, quando domados, transferem a quem o monta qualidades que moldam sua identidade. Não por acaso, reis tiveram seus retratos montados a cavalo, uma vez que seu galope também considera ideias de leveza e ritmo, o que funciona como a alegoria de forças opostas, como delicadeza, mansidão, coragem e destemor.

Impermanência, por sua vez, é uma videoinstalação criada para acolher o público em espaço fechado, com a qual essas ideias serão tratadas de maneira a considerar condições de transitoriedade, reforçando algo presente na produção de Weimar, que tem buscado, nos últimos anos, se ater aos vestígios deixados pela passagem do tempo, transformados em imagens, objetos e coleções. Pensada para a sala 2 do Centro de Arte Contemporânea W, a obra consiste em projetar sobre a parede o vídeo de um cavalo a galope, desenhado por nuvens que pretendem atuar diretamente na arquitetura, de maneira a entendê-la como espaço etéreo. Na medida em que as formas do cavalo a galope, assim como o imaginário mencionado são transpostos às nuvens, temos uma imagem que se movimenta enquanto perde sua definição formal, contrário ao que buscava Eadweard Muybridge, que apresentou o galope de um cavalo como a possibilidade de traduzir o encontro de imagens como a condição para a imagem-movimento. Weimar não rejeita este assunto, embora seu trabalho esteja atento ao modo como imagens desaparecem enquanto se movimentam, resultado da presença do tempo. Por isso, Impermanência, joga com duas considerações de grande importância na obra da artista: ao desenharem com a fugacidade, as nuvens produzem imagens evanescentes, que aparecem em alguns trabalhos da artista por intermédio de sensações fluidas, que Só o que não é do tempo permanece no tempo (2011-2014) buscou recuperar, com o retrato da mãe, cadeiras soltas da mesa, assim como frascos de perfumes vazios e retratos de desconhecidos aproximados de familiares. Outro momento de grande interesse em seu trabalho foi desenvolvido com O Baile (2017), quando imagens apropriadas do baile do centenário de Ribeirão Preto são justapostas, processadas de maneira a dificultar o reconhecimento e a lembrança relativos ao espaço e aos que estiveram presentes.

O projeto propõe, ainda, pintar o restante da sala com a mesma cor do céu por onde o cavalo galopa, construindo um espaço imersivo que envolva o espectador em considerações sobre o desaparecimento e os vestígios, assuntos centrais no trabalho da artista, que procura em documentos, imagens e coleções as mais variadas, pessoais e alheias, indagar sobre o modo como narrativas interrompidas nos deixam a espera de retornos e retomadas impraticáveis.