NÃO HÁ NINGUÉM AQUI


Na sexta (27/11) às 13h tem início o período de visitação das novas exposições do Centro de Arte Contemporânea W: a mostra de vídeos “Não há ninguém aqui” e “Noturno” de Weimar. Na grande sala do CAC W, os curadores Nilton Campos, Yolanda Cipriano e Josué Mattos propõem uma mostra de vídeos elaborada com o … Continuar lendo NÃO HÁ NINGUÉM AQUI


Na sexta (27/11) às 13h tem início o período de visitação das novas exposições do Centro de Arte Contemporânea W: a mostra de vídeos “Não há ninguém aqui” e “Noturno” de Weimar.

Na grande sala do CAC W, os curadores Nilton Campos, Yolanda Cipriano e Josué Mattos propõem uma mostra de vídeos elaborada com o acervo do MARP. Intitulada Não há ninguém aqui, a mostra apresenta obras de artistas que integram o acervo desde a década de 1980. Extraído de uma das obras do acervo, o título evoca o estado de isolamento que qualifica as relações sociais, ameaçadas pela pandemia em curso. O conjunto reforça o contato do corpo com encarceramentos que ele tenta suplantar, como é o caso das obras de André Terayama, Alexandre Silveira, Alan Oju e Wagner Morales, este último autor do vídeo que intitula a mostra. Em outros contextos, a solidão é tomada pelos universos expansivos dos livros que se empilham uns sobre outros, na obra que Simone Moraes realizou em residência no MARP, a partir da catalogação da biblioteca do artista e crítico de arte Pedro Manuel-Gismondi (1925-1999), doada ao museu na década de 2010. Está em jogo considerar, nesta performance para o vídeo, a edificação do sujeito em contato com o pensamento alheio. Outras considerações possíveis em Não há ninguém aqui estão nas obras que Janaina Wagner e Mariana Teixeira possuem no acervo do Museu. Em todos os casos, a paisagem urbana testemunha poucos sinais de vida, enquanto a potência invisível da natureza altera formas e edificações (Wagner) ou documenta o esvaziamento da megalópole (Teixeira). Vale, por fim, considerar que uma das primeiras obras do acervo de vídeos do MARP, transferida de mídia analógica para digital, poderá, por fim ser exibida nesta ocasião singular da história do museu. Estigmas, de Del Pilar Sallum, reflete sobre a passagem do tempo como antídoto para o convívio com marcas e aprisionamentos aparentemente intransponíveis. Em tempos de preocupação crescente devido ao fato de o outro ter se convertido em possível ameaça, Não há ninguém aqui retoma uma das marcas distintivas da arte contemporânea, ocupada em estabelecer campos de confronto com o real, de maneira a propor meios e procedimentos relacionais. Mesmo sem ninguém presente, como reinventar as relações em centros de arte e museus?